
Concessão ou Opção?
Aproveito o diário para esclarecer, do meu ponto de vista, as escolhas veganas que tomo.
Imaginemos que temos três opções para vestir de manhã:
– um casaco feito de pele de cão
– outro casaco feito por crianças escravizadas
– e um outro feito de algodão
A opção que normalmente é considerada mais ética é a terceira: vestir o casaco feito de algodão.
Coitadinhos dos cães e das crianças. É por isso uma OPÇÃO e não uma CONCESSÃO. Não deixamos de vestir o casaco feito de crianças escravas por que é quente demais. Deixamos por que não queremos contribuir contra a escravidão das crianças. Quase que o casaco nos enoja.
Na comida, comigo, é a mesma coisa. Eu não deixo de ir ao H3 ou ao McDonalds por concessão: “Ah, queria tanto ir mas não vou porque matam animais.” Eu deixo de ir porque me mete nojo, porque não quero ir. É uma OPÇÃO e não uma CONCESSÃO. Tal como não quero comer queijo, leite, iogurtes, bitoques, cozido à portuguesa. Não quero mesmo. Nem oferecido. Nem que me paguem. Nem que implorem.
Não é por altruísmo, não é por ser católico, nem por defender o que quer que seja. É simplesmente uma opção não querer participar numa indústria que inflige sofrimento e abate de animais inocentes.
Por isso, quando algum amigo vem almoçar comigo e fica com pena de mim porque eu não como sushi, um croissant com creme ou um batido de morango, não vale a pena. Eu não estou a sofrer. Sofreria sim se os comesse; é uma OPÇÃO e não uma CONCESSÃO.