É mais fácil educar sendo vegan

Se as vantagens já eram muitas, agora tens mais uma. O veganismo ajuda-te a ser um melhor pai ou mãe. Ouvirás sempre comentários de amigos não-vegan a dizer para não educares as crianças como vegan, que lhes faltará proteína, que vão crescer raquíticos, etc. Até dos médicos vais ouvir isso, como eu já ouvi. Outros dirão que não deves decidir o veganismo pelos teus filhos; deve ser uma opção deles até quando forem crescidos. Mas na realidade, não parece fazer muito sentido, pois afinal todos os pais decidem a alimentação dos filhos quer seja vegana, vegetariana, omnívora ou o que quer que seja. A alimentação geral da sociedade, tal como a religião, não deve decidir a forma como alimentamos ou educamos os nossos filhos. As decisões sobre a educação dos filhos cabe aos pais e avós, sempre dentro do respeito, da lei e dos princípios que os acompanham.

De qualquer forma, o veganismo ajuda na educação porque reforça as lições e valores que os pais tomam e tentam passar. Há uma coerência nas atitudes e na mensagem que se transmite.

Em relação às várias vantagens, estas são algumas:

Empatia

Quando educamos os nossos filhos a terem respeito pelos animais, a não os magoar, a serem carinhosos, a aprenderem sobre o seu mundo, estamos a passar a ideia de que são seres que sentem, comunicam, evoluem, partilham afetos. Essa educação vai por isso além da alimentação, tal como vai o veganismo. O veganismo defende o respeito e o carinho por todos os seres vivos: animais, pessoas e plantas. Além de isto implicitamente estar a contribuir para que não comam carne ou peixe, está também a contribuir para que não tenham conflitos na escola, que respeitem os colegas. É um apelo à empatia da criança. Estamos a dizer que o próximo não quer ser magoado, que tem direito a viver e a ser amado, tal como nós. Quando for necessário cuidar de um gato e mudar as pedrinhas ou dar de comer, a criança vai perceber melhor. Se vir um bebé chorar, os nossos filhos tenderam a ajudar, a tentarem perceber porque está o bebé a chorar, e não a sentirem-se incomodados. Se virem alguém a ser atacado na escola, quer seja um colega, quer seja um pombo, tenderão a defender a vítima e a mostrar que através do amor se consegue resolver o conflito. Por isso, ao sermos veganos estamos a ser um exemplo de compaixão e empatia para com o próximo, criaturas que vivem com amor e que partilham esse afeto com os outros.

É natural sermos diferentes

Quando o teu filho for à cantina e pedir um prato vegan, vai ser inevitavelmente apontado como o esquisito, o estranho. Vai ter de se adaptar a essa forma de estar no seu círculo, no meio dos seus amigos. Terá que conseguir que seja respeitado, de conseguir ser aceite, e de viver sabendo que é diferente. Terá de ser forte o suficiente para aguentar essa pressão inicial. No meu caso, as minhas filhas foram no início apontadas mas pouco tempo depois já tinham conseguido que outras amigas adotassem a alimentação delas na escola, até porque a quantidade de comida vegetariana era mais do que a não-vegetariana, e elas gostam de comer. O descobrirem também que há crianças diferentes delas faz com que falem com os pais e discutam essas diferenças, o porquê de serem diferentes, pontos de vista diferentes, o que as leva a aprender mais sobre as diferenças e a aceitarem-se a elas próprias. Algumas famílias têm dificuldades em fazer com que os filhos se adaptem quando são diferentes, ou têm alguma deficiência. É natural. No caso do veganismo, é mais fácil na medida em que a criança se pode sentir orgulhosa de ser diferente. Há um valor intrínseco associado que a faz sentir-se bem por ser vegan, por amar os animais, por saber que não está a fazer parte duma indústria que envolve o sofrimento e abate de animais. Por isso, o veganismo ajuda-a no sentido de saber resistir à pressão de ser diferente e de saber aceitar as diferenças opções dos colegas.

Preserverança e paciência

O veganismo, como é uma filosofia de vida que está nos primórdios em termos da percentagem de adoção por parte da nossa sociedade, ajuda a que a criança saiba viver com essa espécie de desconforto. Desconforto no sentido de não haver quase nenhum restaurante vegano. Desconforto porque nenhum amigo é vegan. Desconforto porque não pode ter qualquer roupa ou sapato. Desconforto porque tem de abdicar de determinados alimentos, como bolos de aniversário dos coleguinhas. Tem de ter paciência e tem de saber estar em sociedade, trazendo a sua própria comida. Tem também de ter a paciência de explicar as suas opções, quando lhe perguntam e o porquê. Esta gratificação alternativa ensina-os a ter paciência, a saberem abdicar de determinadas coisas devido a determinados valores, princípios e questões éticas. No futuro, isto ajudará a que as suas atitudes sejam mais conscientes, e a pensar no próximo. Também terão de ser pacientes e a ter alguma resiliência porque terão de aprender a comer novos produtos com outros sabores, terão de usar determinadas roupas nem sempre tão confortáveis, a usar determinados objetos que podem não parecer tão bonitos como os dos amigos. Aconteceu recentemente a minha filha ter de esperar 1h30 por um prato de massa com legumes salteados, porque estiveram a tratar de todos os outros 50 convidados primeiro e então ela e eu ficámos para o fim. Estávamos prevenidos com snacks vegan, pelo que acabou para não ser um problema, mas sim uma lição de paciência.

Pensamento crítico

Ao adotar uma filosofia de vida diferente da que a rodeia, a criança naturalmente irá questionar o porquê dessa adoção, o porquê das suas escolhas e o porquê das indicações dos pais. Os colegas vão perguntar e desafiar “Mas os animais foram criados para nós comermos”, por exemplo. A criança terá de fazer um esforço para pensar e refletir sobre tudo isso. Pensa porque é que a sociedade trata de determinada forma os animais. Pensa porque é que há pessoas que gostam de animais, e outras não ligam. É também uma oportunidade para os pais falarem os filhos e discutirem e devem, a meu ver, deixar a criança tomar a sua opção entre ser vegan ou não. Ser vegan sem ser por opção é algo que, para mim, não faz sentido e por isso recomendo que se as crianças querem comer carne e peixe, e se a sociedade assim o facilita, então que comam, por mais que isso nos custe. Mas mesmo assim, para tomarem essa opção, ou outra, têm de pensar e ter um pensamento crítico o que as ajudará no futuro a pensarem por elas próprias o que fazer e que opções tomar em relação à vida, ao desporto, à música, aos amigos, a tudo.

Respeito

É fácil para uma criança perceber que um animal não quer morrer. Mais difícil, mas também se consegue explicar que as vacas não pedem para que lhes seja retirado o leite, sejam engravidadas à força, que lhes retirem os bebés, etc. Há uma espécie de tratamento por parte da indústria da carne que implica o forçar, o obrigar, ao ponto de matar. Sendo vegan, é fácil mostrar que os animais não devem ser obrigados a nada e que devem ser tratados com respeito, tal como nós. Ou seja, se a nós ninguém nos deve obrigar a meter de joelhos, ou tem o direito de nos matar, também aos animais não. Uma educação não-vegan não é coerente que devemos respeitar os animais mas devem ser mortos para nosso prazer, já que nos podemos alimentar sem animais.

Hábitos saudáveis

Nem toda a comida vegan é saudável, como é óbvio. No entanto, dada a variedade de alimentos que comentos, e o tipo de alimentos que ingerimos como frutas, sementes, leguminosas, grãos, legumes, estamos automaticamente a cortar com o colestrol e com o excesso de gordura saturada que costumamos encontrar nos alimentos como a carne ou peixe. Ao termos consciência do poder de escolha que temos no que se refere à alimentação, e ao espírito crítico que acima referi, as crianças acabam por se alimentar muito melhor, mesmo quando decidem comer coisas menos saudáveis. Naturalmente, as crianças vegan sabem mais sobre nutrição, quantidades, gorduras do que as outras crianças, até porque uma alimentação vegan implica que tenha de haver equilíbrio, e que se faça um esforço em fazer refeições com proteína, gordura, fibras, açucares naturais, vitaminas, etc.

Educação por si só não é fácil mas definitivamente ser vegan ajuda muito e falo por experiência própria. Nada como passar em frente a um talho e responder tranquilamente a todas as perguntas, e fazer com que ela não se sinta responsável pelo massacre que se visualiza à frente dela.

Será que há mais vantagens? Se conheceres mais vantagens partilha nos comentários.

Fonte: Raise Vegan

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