Universidade de Oxford afirma que estilo de vida vegan é a melhor forma de proteger o planeta

Investigadores da Universidade de Oxford, em Inglaterra, fizeram o maior estudo alguma vez feito sobre o impacto que a produção de alimentos e produtos animais tem no meio ambiente e publicaram-no agora, dia 1 de junho de 2018.

Uma dieta vegana é provavelmente a melhor maneira de reduzir o seu impacto no planeta Terra, não apenas gases de efeito de estufa, mas acidificação global, uso de terra e água. É muito mais efetivo do que cortar nos seus vôos ou comprar um carro elétrico.

Joseph Poore Pesquisador da Universidade de Oxford

Os resultados, mostram de forma inequívoca que a indústria da exploração animal é o maior inimigo do meio ambiente.

Durante cinco anos de trabalho, os cientistas compilaram dados recebidos de mais de 40,000 quintas, situadas de 119 países, sobre 40 tipos de alimentos. Estes tipos de alimentos selecionados correspodem a 90% da alimentação consumida no planeta. O objetivo principal era descobrir que alimentos é que causam maior impacto no ambiente, analisando o desperdício de água potável, exploração do solo, emissão de gases de efeito de estufa, entre outros.

O que os resultados mostraram foi que acabando com a produção de carnes e laticínios, a área utilizada para exploração agrícola seria reduzida em 75%. Para teres noção, essa área equivale à área ocupada pela China, Estados Unidos, Austrália, mais a União Europeia.

O estudo refuta o argumento que os produtos animais são necessários para alimentar a população humana. Carnes e leite representam apenas 18% de todas as calorias ingeridas por seres humanos, e dão apenas 37% de toda a proteína que precisamos. No entanto, usam 83% de toda a área cultiável e produzem 60% dos gases de efeito de estufa na agricultura.

Todos aqueles peixes a depositar excrementos e a deixar a ração não consumida depositar-se no fundo das lagoas, onde quase não há oxigénio, torna este o ambiente perfeito para a produção de metano.

Joseph Poore Pesquisador da Universidade de Oxford

Quanto à questão da carne “biológica”, ou produzida por empresas preocupadas com o abate de árvores, causa ligeiramente menos danos ao ambiente mas quando se compara a proteína produzida por essa carne comparativamente à proteína vegetal, a diferença é gritante: a carne bovina produzida da forma menos prejudicial possível é responsável pela emissão de 6 vezes mais gases de efeito estufa e usa 36 vezes mais terra agrícola.

Segundo o pesquisador, converter pasto em carne é como usar carvão para gerar energia. Vem sempre com um imenso custo em emissões.

A produção de carne produz até 105kg de gases de efeito estufa por cada 100 gramas de carne, enquanto tofu produz menos de 3.5kg

 

Joseph sugere que os rótulos dos alimentos tragam informações sobre os danos ao meio ambiente causados pelos produtos. Assim, o consumidor poderia escolher de forma mais consciente o que comprar para evitar impactos ambientais. Também aponta que uma taxa adicional sobre produtos de origem animal poderá vir a ser implementada por causa dos danos ambientais.

Na Europa, onde há um grande consumo de peixe, 96% de todo o peixe consumido é de cativeiro. No entanto, relativamente à criação de peixes em cativeiro, que muita gente pensa que é uma alternativa viável, o estudo também confirma que é péssima para o meio ambiente. “Todos aqueles peixes a depositar excrementos e a deixar ração não consumida no fundo das lagoas, onde quase não há oxigénio, torna este o ambiente perfeito para a produção de metano.” disse Joseph Poore.

“A razão pela qual eu comecei este projeto foi entender se havia produção animal sustentável em algum lugar. Mas parei de consumir produtos animais nos últimos quatro anos deste projeto. Os impactos não são necessários para sustentar o nosso modo de vida atual. A questão é quanto é que podemos reduzi-los e a resposta é: muito.” – disse Joseph.

Fonte: Science Mag, The Guardian, Vista-se

 

 

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